sábado, 26 de outubro de 2013

repouso


No corpo cru mãos macias,
ânsias de alisar alma
Gritos! sussurros... afinal se acalmam

inquietude

Dias assim enredam  meu peito.
Eu ando sem jeito pela casa
deixo portas abertas, espalho roupas
Desfaço impressões e as construo novamente.
Por onde vou, sensações me perseguem.


Mas as palavras tardam. 

sábado, 14 de setembro de 2013

sedução

Marquei encontro com teus olhos
na antiga esquina dos nossos amores
Sem demora me joguei nos teus braços
tão necessários ao meu conforto
Em meu peito, turbulência de céu claro
Em tuas mãos, gata enrodilhada,
me entreguei então, me deixei assim
como que nada. Mas como furacão
me explodi depois;  e me escorri como lava...

e te prendo aqui

sábado, 24 de agosto de 2013

carta para são pedro

Meu São Pedrinho
Faz tempo que não nos falamos, estou com saudades.
Eu estou ótima, meu fim de semana começou bem. De chatinho, é que ontem precisei ir ao salão. Não gosto de perder tempo em salão, tenho sempre a sensação de tempo perdido. Mas, como eu já não tenho 20, não posso abrir mão de certos artifícios. Afinal,  preciso me cuidar.
Pois fui, e agora estou aqui, toda bonitinha, pés sedosos, depil em dia, mãos hidratadas, esmaltezinho vermelho nas unhas, cabelos devidamente retocados...
Falando em cabelos, esse é o ponto. A cor está ótima, foi reativada pelo procedimento de ontem – 45 minutos com uma melequinha gelada na cabeça. Os cachos estão perfeitos, hidratados, modelados, definidos, macios – porque estou trancada em casa e com as janelas fechadas.  Mas amanhã é domingo e eu quero sair; quero ver gente, ter um dia agradável, descontraído, sem um nadinha de preocupação. Hás de convir que  eu fiz a minha parte. Agora é tua vez, meu santo. Que tal dares uma forcinha aí? É que os cabelos das mortais detestam umidade. E demonstram o desagrado de maneira inequívoca: chapinha ou cachos, arrepiam-se feito gato arisco. E lá se vai pelo esgoto o investimento na produção.
Então podes fechar a torneirinha? Até porque, sei lá, com essa água toda fico pensando no perigo de uma desidratação. Sabes como é, também já não tens 20...
Pensa com carinho – e te cuida.  Beijo da

Eliana

sábado, 10 de agosto de 2013

emergindo

Essa chuva mansa e constante me perturba, faz com que revolva meus subterrâneos na ânsia de completude. Entrega-me pá e picareta, e ordena: - Cave!  Eu remexo argila, removo a solidez das rochas, afasto cascalhos... Cavo mais e mais na esperança frágil de encontrar o Santo Graal. Enquanto isso, cordões de ouro enfeitam minha rua e eu não percebo. Meu olhar profano se perdeu em alguma esquina e, tão absorta no trabalho de desbravar minhas cavernas, esqueci que também sou ar, sou flor, leveza, e prazer.

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

recorrência

rente ao muro me desfaço
entre seixos, reentrâncias
- murro e faca

sexta-feira, 26 de julho de 2013

enfim

m’escorreguei pelas frestas
e pelos vãos dos teus dedos
meu horizonte é rubi